Archive for julho, 2008

Ser Mae

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Ser mãe é a essência da mulher e a realização do seu principal desejo.

Ser mãe é abdicar suas próprias necessidades em prol das necessidades de quem não tem como satisfazê-las.

Ser mãe é ficar acordada mesmo quando só se pode pensar em dormir e dormir quando se está sem sono só para servir de companhia.

Ser mãe é dizer não a si mesma numa espécie de auto-renegação dos seus próprios desejos.

Ser mãe é sorrir mesmo quando não se têm motivos para sorrir numa resposta automática ao sorriso de seu filho.

Ser mãe é compreender mais uma criança do que se é capaz de compreender-se a si mesmo.

Ser mãe é desistir dos seus próprios sonhos e adiar tantos outros em prol de um objetivo maior.

Ser mãe é sentir dor mesmo sem ter nada e desejar a todo o custo sofrer no lugar daquela que está sofrendo.

Ser mãe é emocionar-se de alegria mesmo no momento em que sente a dor incomparável da concepção.

Ser mãe é amar mesmo sem ter gerado e compreender que filho acima de tudo está no coração.

Ser mãe é não medir esforços, é derrubar barreiras e vencer os maiores obstáculos pelo bem daquele que nem ainda não pediu nada.

Ser mãe é reconhecer pelo olhar, pelo choro, pelo gesto, pelo sorriso e saber que pode ser reconhecida até pelas batidas do seu coração.

Ser mãe é prazerar-se por amamentar, como que compreendendo que isso representa a última parte de dentro de si que ainda poderá oferecer.

Ser mãe é suportar a própria dor, ainda que seja incapaz de suportar ver a dor de quem veio de dentro de si mesma.

Sim, ser mãe é tudo isso e muito mais. Tanto mais que seria impossível de expressar tudo o que significa. Mas, ainda que ser mãe seja um privilégio, ele foi concedido somente a aquelas que um dia nasceram mulheres.


Por que somos tao carentes?


Se pensarmos um pouco, notaremos o quanto somos carentes.

Sentimos-nos, carentes quando cai a chuva e ficamos olhando pela janela e pensando… assim ficamos tristes e mesmo sem saber por quê.

Quando estamos carentes tudo parece contribuir para mais carência,é a música que toca e o choro que vem e bem lá dentro do coração o sentimento que dói.

Existe carência de todo a espécie,da carência de atenção a de afeto,que clame simplesmente por abraço,quando ninguém parece ouvir.

Tem a carência de carinho,que só passa quando se deita a cabeça e sente aquela mão gostosa passando para lá e para cá.

Tem a carência de amigo,daqueles que ouvem, entendem e sabe que se pode confiar.

Tem carência de paixão, daqueles ardentes que fazem o coração disparar, o corpo tremer e enorme para o ego.

Tem carência de elogios onde simplesmente se deseja ouvir uma frase de reconhecimento por tudo o que fez, disse ou até a decisão tomada.

Tem aquela carência que surge da rejeição e que nos diz que nunca mais seremos amados.

A carência pode ser passageira ou duradoura, vem mais de noite, mas pode surgir de dia, é mais freqüente quando não temos o que fazer, mas pode aparecer mesmo quando nem temos tempo para pesar nela e normalmente toma conta quando estamos sozinhos, ainda que alguns sejam carentes mesmo acompanhados.

Mas é possível combatê-la desde que estejamos dispostos conceder, mudar e nos empenhar.

Podemos trocar a pessoa companheira pelo cachorro, a presença pela foto, abrir mão do beijo da paixão pelo abraço do amigo, a conversa face a face pela no telefone e mesmo até estar disposto a substituir o amor perdido por um novo amor.

Ironicamente a pessoa carente afasta sua carência encontrado outro carente, como se os carentes se atraíssem.

Enfim, se procurarmos todas as respostas de por que somos carentes notaremos que não podemos encontrar, mas se pensarmos bem poderá achar o remédio para ela e com isso concluir que apesar de carentes, temos todos os motivos para ser feliz.


Os muitos “eus” dentro de mim

Se olharmos bem para nós mesmos verá que existem muitos “eus’ dentro de nós. A cada dia conheço um “eu” diferente e me surpreendo com isso.

Conheci o “eu” amável, capaz de fazer de tudo pela pessoa amada como se ambos fossem um único “eu” existente dentro de mim.

Conheci o “eu” feliz, que não permite que nada possa estragar a alegria, mesmo quando se tem todos os motivos para estar triste.

Conheci o “eu” egoísta, que só pensa em si mesmo, sendo capaz de passar por cima de muitas coisas para satisfazer a si próprio.

Conheci o “eu” carente, que suplica companhia e afeto nos momentos mais difíceis.

Conheci o “eu” queixoso, que se queixa de tudo e de todos e não é capaz de valorizar aquilo que tem.

Conheci o “eu” pai, que se esquece de si mesmo apenas para cumprir o seu papel de fazer um filho feliz.

Conheci o “eu” louco, que age inconseqüente e como quem nunca deveria prestar contas sobre seus atos.

Conheci o “eu” amigo, capaz de apoiar e ajudar os outros nos momentos que estes mais precisam.

Conheci o “eu” humorado, fazendo com que as pessoas se alegrem e se sintam bem ao seu lado.

Conheci o “eu” mal humorado e percebi que às vezes nem eu agüento meu próprio “eu”.

Conheci o “eu” confuso, incapaz de tomar decisões sobre quais caminhos tomar, mesmo nas mais simples situações.

Bem, não sei ao certo quantos “eus” conheci e nem quantos outros conhecerei na minha vida.

Não sei por que temos tantos “eus” diferentes e porque se afloram em diferentes momentos da nossa vida.

Não sei se meus “eus” são adaptáveis às circunstâncias ou se são instáveis a elas.

Não sei por que às vezes, sinto até que eles conflitam entre si, numa espécie de luta entre o bem e o mal.

Não sei quais deles são sábios e quais são tolos.

Somente duas coisas eu realmente tenho certeza:

Os meus diferentes “eus” nos tornam imprevisíveis, pois nunca sabemos qual, quando e onde cada um deles se manifestará.

São tantos “eus” dentro de mim, que nem sei mais se sou eu que acabou de escrever tudo isso!


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