O Pai Adotivo

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Pai Adotivo
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O PAI ADOTIVO

Sempre pensei que todos os dias podem ser apenas um dia como qualquer outro, mas um telefonema podia mudar tudo, aliás, não só um dia, mas todos os dias que se seguiriam então.

Sempre pensei que a oportunidade surgiria no tempo certo. O que não pensei é que junto com ela surgiriam também incertezas e a sensação de não se saber mais nada sobre o que pode vir a acontecer.

Sempre pensei que oito anos foram uma espera longa para um sonho, mas descobri que um único dia pode parecer mais longo do que tantos anos.

Sempre pensei que objetivo é determinação, e determinação é coragem, mas descobri que coragem é tudo que se precisa num momento desse.

Sempre sonhei com o dia em que veria meu filho nascer. Mas o que não sabia era que um filho pode nascer para um pai já tendo cinco meses.

Sempre pensei sobre como seria passar nove meses treinando sobre como tornar-se um pai, mas o que eu não sabia é que se pode acordar um dia e descobrir que já é pai.

Sempre pensei que existia um manual sobre o que um pai deve fazer, mas descobri que o manual está dentro de nós mesmos e que um dia simplesmente sabemos tudo o que deve ser feito.

Sempre pensei que chegaria o dia em que seríamos apresentados, o que não pensei é que uma frase ecoaria na minha mente sem que pudesse esquecer: “E essa é sua” Foi nesse momento que compreendi que tudo realmente tinha mudado e que toda a espera fez sentido.

Sempre pensei sobre como as pessoas são engraçadas. Todos olham para você e pensam que sua vida é perfeita e que não lhe falta nada. Pensam que dor sente somente quem perdeu e não quem nunca teve. E assim deixam de enxergar o vazio dentro daquele que simplesmente quer ouvir: “papai”.

Sempre pensei que na vida a todo o momento tiramos novas lições. Estava certo, pois:

– Aprendi que o filho está no coração

– Aprendi que se pode passar o dia todo pensando simplesmente no momento de chegar em casa e ver um sorriso.

– Aprendi que não existe esforço que não valha a pena.

– Aprendi que por mais que imaginemos que amamos alguém, notamos que surge alguém que amamos ainda mais.

– Aprendi que a adoção não é um gesto de amor para uma criança e sim o gesto de amor de uma criança para com seus pais.

– Aprendi, por fim, a maior de todas as lições, de que não fui eu que adotei a Giovanna e o Claudio como filhos e sim eles que me adotaram como pai.

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1 Comentário


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