Ana e minha princesa

Ana e minha princesa

OS PRIMEIROS ANOS COM NOSSA FILHA

A nossa filha é uma criança incrível. Lembro-me que quando ela estava no hospital os médicos afirmavam que ela ficaria com alguma seqüela em virtude da desnutrição. Como aqueles médicos estavam enganados, pois ela é uma criança normal, tem três anos de idade e ao contrário da informação dos médicos ela apresenta um avanço em relação a outras crianças da idade dela do ponto de vista da comunicação. Ela consegue argumentar como uma criança bem mais velha e tem uma rapidez de raciocínio que surpreende a todos.
Decidimos que nossa filha chamaria Giovanna. É muito comum que os pais adotivos mudem o nome dos seus filhos. Nestes casos, a criança tem um nome em seus documentos e a chamamos de outro nome. Às vezes temos de dar algumas explicações, como quando a levamos para consulta médica e outros locais. Somente depois que o processo de adoção finaliza é que o juiz oficializa o cartório para efetuar uma nova certidão de nascimento. E com ela não foi diferente.
Durante muito tempo a Gigi teve problemas para o cabelinho dela crescesse e mesmo depois de ter engordado muito ela ainda era carequinha. Isso era um reflexo do enfraquecimento causado pela desnutrição. Hoje ela tem um cabelinho comprido, mas já se mostrou que vai dar muito trabalho com chapinhas quando ela se tornar adolescente. Hoje, no entanto, temos apenas de conviver com o choro dela toda vez que precisamos fazer as trancinhas no cabelo dela devido ficar embaraçado após o banho.
Desde pequena a Gigi já deu indícios que terá uma personalidade muito forte, pois ela tem opinião própria e é muito difícil de mudá-la. Com três anos ela já escolhe suas próprias roupas e decide com quem quer dormir. Mas apesar de ser assim, quando chamamos a atenção dela ela fica muito triste consigo mesma e prontamente pede desculpas para nós. Com freqüência faz perguntas se estamos felizes com ela, como que buscando aprovação pela filha que é.
Quando penso em todo o esforço que fizemos para adotar nossa filha sinto que faria tudo de novo. As alegrias que tivemos com ela não têm preço. Admiro muito ela que apesar de tão pequenina ela tem uma felicidade enorme. Até quando ela está doente ela olha para mim e diz que vai ficar boa logo. Só de pensar que mais um pouco ela não teria sobrevivido eu fico emocionado.
Com a Gigi aprendi que os laços consangüíneos não têm relação direta com a relação entre pai e filho. Apesar de ela não ter sido gerada por nós temos uma relação tão apegada que supera todas as minhas expectativas em relação a como seria ter um filho adotivo. Assim, só tenho a dizer que o privilégio da adoção é algo impar que pode transformar a vida de um casal.

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