Eu e meu Pai a 14 anos atrásUMA TRAGÉDIA UM ANO ANTES

Era a manhã do dia 15 de Abril de 2004 e tudo parecia como um dia como qualquer outro. Estava trabalhando e cerca das onze horas e trinta minutos fui almoçar. Todos os detalhes do que aconteceu neste dia estão muito bem gravados na minha mente. Minha mãe havia deixado um recado para que retornasse uma ligação com muita urgência para ela e assim fiz assim que cheguei do almoço. Foi neste momento que ela falou: “Andy, o papai não voltou…”
Bem, para compreender o significado dessa frase, vou falar um pouco do meu pai. Ele nasceu em 1943 e em 2004 tinha 61 anos. Seu porte físico não coincidia com a sua idade, pois diariamente ele rodava cerca de 20 quilômetros de bicicleta. Por incentivo dele e para aproveitar os momentos junto com ele eu o acompanhava cerca de três vezes por semana. A semana de quatorze de abril foi uma semana atípica nos nossos exercícios semanais. Por um motivo sem explicação eu fui duas vezes sozinho de bicicleta naquele trajeto e na quinta-feira que comumente eu participava com ele acabei não o acompanhando e ele foi sozinho.
Nosso trajeto era feito numa rodovia próxima da nossa casa onde diversas pessoas faziam semelhante trajeto. E assim ele foi sozinho fazer o trajeto. Assim que ela me disse que o papai não voltou eu senti um enorme vazio dentro de mim e imediatamente tive a sensação que meu pai tinha morrido. Comecei a partir de então uma jornada de ligações para a empresa controladora da rodovia e para hospitais para tomar conhecimento se houve atropelamento na rodovia. Após cerca de trinta minutos recebi a informação de que aconteceu um atropelamento e a vitima havia sido levada para um hospital próximo. Larguei tudo e fui correndo para o hospital e após encontrar o médico confirmei que meu pai tinha falecido.
É incrível como sabemos que todos estão sujeitos ao imprevisto, mas como é difícil aceita-lo. Meu pai sempre foi um companheiro para mim e naquele momento estava vivendo um momento que há anos não vivia com ele, pois conversávamos muito e estávamos muito amigos. Várias incertezas me atormentaram durante muito tempo, como o fato de não ter tido contato com ele naquela semana e o modo como foi atropelado que nunca foi esclarecido. A morte é dura para todos nós, mas quando uma vida é interrompida por acidente ou outros fatores, a sensação que existe é que a dor é maior.
Hoje com o passar dos anos aprendemos a conviver com a falta dele. Minha mãe que parecia ser a pessoa menos capaz de lidar com tudo isso foi a que mais nos serviu de exemplo e admiramos muito ela.
De qualquer modo, todas as lembranças que guardo do meu pai são as mais positivas que espero levá-las aos meus filhos.