SONHO DE TER UM FILHO
Casei-me muito cedo, aos vinte anos de idade assim como quase tudo na minha vida foi muito precoce. Para muitas pessoas, casar cedo demais é um dos fatores que levam a infelicidade no casamento, pois como o casal tem pouca experiência na vida, às dificuldades surgem e o casal tem maiores dificuldades de enfrentá-las. Mas este não foi nosso caso, até porque sempre apreciei compromissos e responsabilidades e tinha uma vida de casado normal, repleta de alegrias e bons momentos e de algumas dificuldades como qualquer outro casal normal tem.
Após alguns anos de casado, passamos a pensar na possibilidade de termos um filho. Como já tínhamos feito muitas coisas sozinhos, pensamos que faltava companhia e decidimos ela iria engravidar. Assim, interrompemos os meios contraceptivos que minha esposa usava e aguardamos que ela ficasse grávida. Ouvimos relatos que os efeitos do anticoncepcional pudessem durar vários meses, deste modo, mesmo depois de um ano, não estávamos alarmados com o fato de minha esposa não engravidar. Mas, passou-se muito mais tempo e a tão sonhada gravidez não veio e passamos a ficar muito apreensivos com a situação.
Depois de algum tempo, minha esposa passou a buscar explicações dos impedimentos da gravidez e assim realizou diversos exames para investigar as causas. Nenhum exame que ela realizou foi concludente para apontar os verdadeiros motivos e tomei a decisão que eu iniciaria a investigação.
Depois de realizar um exame descobri que tinha um problema nos meus espermatozóides que impediriam a fecundação. O médico indicou seria revertido com medicamentos e me prescreveu remédios e algumas recomendações. Mas o tempo foi passando e o resultado não veio a assim buscamos outros especialistas.
Toda vez que procurávamos outro especialista tínhamos de repetir alguns exames e isso tornava ainda mais moroso o tratamento. Uma coisa que ficou bem clara era que o problema estava em mim e tratar problemas de infertilidade no homem é muito mais difícil do que na mulher, pois os remédios disponíveis, muitas vezes a base de hormônio nem sempre dão resultados esperados.
Um erro inicial e muito comum entre pessoas que buscam tratamento sobre infertilidade é procurar médicos que não são especialistas em fertilização humana. Isso ocorreu até que um dia a minha esposa leu um livro de um dos maiores especialistas em reprodução humana do Brasil. Buscando a solução do problema entramos em contato com seu consultório e marcamos uma consulta com esse especialista. Esse profissional, muito atencioso por sinal, pediu novos exames e trinta dias após tínhamos o resultado dos exames e retornamos para uma nova consulta. Depois de ele avaliar os resultados ele nos deu uma noticia difícil, a de que nossas chances de minha esposa engravidar, mesmo pelas vias assistidas eram menores de 5%. Naquele momento caiu o mundo sobre nossa cabeça, saímos de lá arrasados e não conseguíamos entender como podia acontecer isso conosco, pois parecia que tínhamos uma vida muito feliz, apenas sentíamos que faltava a presença de um filho.
Como todos os outros médicos nos deram uma visão diferente da desse médico ficamos muito chocados com aquele diagnóstico, achando que ele estava errado, mas as explicações dele foram muito convincentes.
Lembro-me de diversas vezes de noite acordar sozinho e chorar na beira da cama devido à impossibilidade de ter um filho e ainda ser o responsável pelo problema. Essa decepção até desencadeou uma doença psicossomática na minha pele na qual passei por muitos meses tratando.
De modo similar, minha esposa também passou por um período difícil, ficou muito triste e quase entrou em depressão. Numa de nossas conversas sobre o assunto levantei a hipótese de pensarmos na adoção, mas ela simplesmente se revoltou com minha indicação. Seria como se eu tivesse proposto para que cometêssemos um crime juntos. Entendo como deve ser difícil para uma mulher não poder gerar um filho, bem como amamentar. A palavra filho está diretamente ligada à gravidez e não a criação dos filhos. Até mesmo os comerciais de TV sempre enfocam uma mãe amamentando, pois é isso que nos relembra a relação de pais e filhos. Diante disso compreendo como é que uma mulher se sente numa situação como essa.
Depois de algum tempo, um dia, a minha esposa acordou e disse: Vamos dar entrada nos papéis para a adoção. Bem, fiquei surpreso, pois fazia muito tempo que não falávamos no assunto, mas como a minha opção era pela adoção não hesitei e fui atrás dos procedimentos para o cadastro.
Antes de compartilhar como foi nosso processo de adoção vou comentar um pouco sobre a adoção no Brasil.





Comentários