And_siteMINHA INFÂNCIA

“A base de toda pessoa acontece na infância. Assim, por dedicarmos nosso tempo e esforço estaremos dando o melhor o futuro dele.”

Anderson Hernandes

Sou o irmão do meio de uma família de três irmãos, na qual nossa diferença de idade é de sete e nove anos respectivamente. Eu e meus irmãos tivemos uma infância normal, cheia de expectativas e uma criação e educação maravilhosa dos nossos pais.
Nunca tenhamos tido acesso a luxos que outras crianças tiveram, apesar de não nos faltar nada meu pai sempre economizava muito e isso refletia no entretenimento que tínhamos acesso, como vídeo game, bicicleta e outros.
Da minha infância me lembro muitos detalhes, até coisas que para nossos filhos hoje são coisas comuns, mas que me marcaram. Lembro-me, por exemplo, quando ganhei meu primeiro brinquedo que considerava realmente maravilhoso. Era uma caixa de Playmobil com 11 bonequinhos. Fiquei durante meses maravilhado com aquele brinquedo.
Lembro-me, também, da primeira vez que meu pai nos levou no Mc Donalds. Foi um acontecimento, tinha cerca de 10 anos e passei semanas programando aquele dia. Até aquele momento da minha vida eu nunca tinha ido lá, pois nosso pai não costumava sair para comer fora como é tão comum para nós hoje, até que um dia ele disse que nos levaria e levou. Até hoje me lembro com detalhes deste dia.
Meu pai sempre foi um exemplo para nós em muitos aspectos. O que mais vem a nossa mente é o fato de que sempre foi muito trabalhador e desde muito pequeno me encaminhou para começar a trabalhar. Ele dizia que o jovem tinha de começar a trabalhar bem cedo para ter responsabilidades e isso de certo modo me ajudou a ser muito precoce na vida. Aos 12 anos já realizava trabalhos informais e aos 14 anos já era registrado numa empresa como Office-boy.
A minha mãe, por outro lado, teve um papel fundamental na criação da nossa família, uma vez que ela passava a maior parte do tempo cuidando de mim e dos meus irmãos. Nossos valores e princípios foram bem moldados em conformidade com a educação recebida dela.
Sempre freqüentei favelas perto de casa e tinha alguns colegas que moravam nesses lugares, assim nunca tive problemas em estar em tais locais. Com isso, tive acesso a muitas famílias pobres que criavam seus filhos de forma muito precária e já naquela época tinha muita dó daquelas crianças.
Em 2004 nosso pai nos deixou vítima de um atropelamento. Hoje, enquanto estou escrevendo esse capítulo do livro está fazendo quatro anos que papai se foi e ainda sentimos muito a falta dele. Sinto muito também o fato de ele não ter tido a oportunidade de conhecer meus filhos uma vez que ele acompanhou nossa luta e espera para adotá-los. Nosso segundo filho nasceu antes de papai nos deixar, mas como só o adotamos anos depois ele nunca o conheceu.
Não tem como desconsiderar que aquilo que passamos na infância tenha um papel fundamental na nossa vida toda, por isso dou muito valor a infância dos meus filhos, pois isso será a base do futuro deles. Muito se fala sobre dar aos filhos a melhor educação por colocá-los nas melhores escolas, mas nada substitui o tempo que dedicamos a eles e o quanto conversamos com eles, assim, temos de dar nosso melhor nesse respeito.

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