Onde está mamãe?

Essa reflexão é dedicada a todos os filhos que cuidam de suas mães com Alzheimer. *

Queria entender como mamãe foi ficando distante e deixei de perceber e ter certeza que ela ouvisse tudo que digo a ela.

Queria que ela compreendesse tudo o que sinto, desde a revolta a compaixão, cansaço ao afeto, da tristeza ao respeito.

Queria poder gritar naqueles momentos em que sinto uma enorme angustia dentro de mim, mas ao mesmo tempo me reprimo, pensando que simplesmente que devo isso a ela.

Queria ao menos que ela me olhasse, e ter a sensação de ser notada e não de ser ignorada.

Queria compreender o que passa lá dentro, saber se ela pensa, se ouve e principalmente se entende o quanto eu a amo.

Queria pelo menos entrar por um instante no mundo dela e assim poder entende-la melhor.

Queria ser respeitada e admirada pelo que faço e não que todos me olhassem e pensassem que faço apenas a minha obrigação.

Queria ter força para superar, não ter motivos para chorar e ver tudo isso passar.

Queria que mamãe visse tudo que aconteceu, quem chegou e quem se foi, quem cresceu e quem envelheceu e que as coisas não parecessem em vão para ela.

Queria ouvir apenas algumas palavras ou frases, coisas simples como até mesmo um simples “oi”.

Queria entender se ela sente dor, fome, tristeza, sofrimento e acima de tudo se sente o carinho que tenho.

Queria acordar e entender que foi apenas um pesadelo, que nada ocorreu e simplesmente esquecer todo o que sinto.

Queria tantas coisas e sei que no fundo nada disso é possível, por isso quero apenas lutar até o fim e ter a plena certeza, que quando mamãe for, não reste dúvida a ela, que dei o máximo de mim.

* Nota do autor:

Ainda que pessoalmente minha mãe não tenha sido acomedida com uma doença como o Alzheimer, escrevo empaticamente, homenageando meus parentes achegados que cuidam por anos de sua querida mãe.

Anderson Hernandes


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