Dicas para recolocação profissional

Entrevista com minha participação para o Jornal do Commercio PE

Vai disputar a vaga? Prepare-se

Especialistas dão dicas para aqueles que estão em busca de um emprego. A primeira delas: qualificação nunca é demais

 

Cecília Ramos

Encontrar um bom emprego e recolocar-se no mercado de trabalho são tarefas que exigem do profissional determinação, qualificação e uma boa dose de marketing pessoal. Afinal, a concorrência é alta. A ajuda de uma empresa de consultoria e recrutamento às vezes é decisiva. O JC ouviu algumas empresas do setor e profissionais que deram dicas de como um candidato deve proceder se pretende passar por um processo seletivo.

Diretor da RM Eólica, em Suape, Paulo Coimbra relata que está com dificuldades para recrutar um gerente de qualidade. “Quando é experiente, não tem o inglês fluente. É o caso de profissionais mais maduros que não se aprimoraram. Já os jovens tem o inglês mas muitas vezes falta a experiência e a qualificação específica”.

Dica do executivo: se vai fazer um MBA, mestrado, doutorado, observe as necessidades do mercado e da sua área de atuação. “Não adianta fazer especializações que não servirão para o setor que você pretende focar”, garante Coimbra.

Ao 51 anos, Paulo Coimbra passou pela Alcoa, Asa, Impsa e chegou à RM por meio de um processo de seleção que durou dois meses, pela Pádua Consultoria, em Boa Viagem. “Foi o processo mais longo que já passei. Foram várias entrevistas com quatro diretores do grupo”. Nesse processo, Coimbra conta que a qualificação profissional, a experiência em gerir pessoas e a credibilidade no mercado foram decisivas para a escolha de seu nome para a vaga. O diretor já morou, por conta do trabalho, nos Estados Unidos e na Espanha. Esse tipo de experiência também conta pontos no currículo. A RM Eólica faz parte da Gestanp, a divisão de energia renovável do grupo europeu Gonvarri.

“Os líderes de hoje precisam construir pontes, para que áreas afins se comuniquem. Mas sem ser centralizador. O grande desafio de hoje, para executivos, é ser um gestor de pessoas”, avalia Coimbra.

Há 12 anos atuando como headhunter, um caçador de talentos, Hermenegildo Pádua, da Pádua Consultores, aponta como umas das principais falhas dos profissionais, sobretudo os mais velhos e experientes, a falta de preparo para gerir pessoas. “Esse é um dos aspectos que têm maior peso para as empresas hoje. Elas querem profissionais que saibam delegar, trabalhar em equipe e administrar pessoas”.

Pádua também elenca como falha a questão do profissional não se atualizar e não se adequar à realidade do mercado. Para alcançar um cargo executivo ou mesmo de gerência, é básico falar inglês fluentemente e ter pós-graduações. “E o mínimo que se exige hoje. Tem empresas que já pedem dois idiomas. A competitividade está forçando a especialização e um esforço maior dos profissionais”, avalia Pádua. Ele constata que, nos últimos dois anos, a demanda por executivos triplicou, em função do “boom” econômico porque passa Pernambuco, com a chegada de multinacionais de vários segmentos. E mesmo as empresas já existentes no mercado local, acrescenta Pádua, estão se reestruturando para novos negócios.

A empresária e consultora Lúcia barros, da Lucre Recursos Humanos, especializada em recrutamentos, observa que muitos profissionais pecam na hora da entrevista. Ela conta que em um caso de recolocação de um profissional no mercado de trabalho, o candidato tinha um bom currículo e experiência. Mas já na etapa final da seleção, saiu-se mal na oratória. “A empresa alegou que ele não soube se colocar, foi prolixo e escorregadio”, conta Lúcia. Por isso, o candidato deve preparar-se para a entrevista, estudar a empresa que está ofertando a vaga. E atenção para as “pegadinhas”. Muitas vezes, o entrevistador faz perguntas visando avaliar o seu comportamento. Não relute, por exemplo, em falar sobre assuntos como erros cometidos, agindo como se isso nunca tivesse acontecido. Fale a verdade ao entrevistador, citando exemplos que demonstrem suas habilidades ao lidar com adversidades.

O escritor paulista Anderson Hernandes dá palestras pelo Brasil sobre marketing pessoal e sabe o que as empresas buscam no profissional de hoje. “O marketing pessoal pode ser decisivo em um processo de seleção. Como o candidato vai se vender e a imagem que ele passou para o entrevistador é crucial. Isso inclui a vestimenta também. E não basta você ter um bom currículo e sabre fazer. É preciso mostrar que sabe”, disse Hernandes (veja as dicas na arte nesta página).

Outra observação dos especialistas é que a recolocação no mercado de trabalho torna-se mais fácil para aqueles profissionais que investem no seu desenvolvimento. “Nas minhas andanças pelo País, dando palestras, constato que faltam candidatos qualificados. Hoje, por exemplo, muitas empresas exigem profissionais que saibam falar em público. Isso é raro”.

O presidente da Curriculum.com.br, Marcelo Abrileri, comandante da maior base de armazenamento e administração de currículos da internet no Brasil, orienta o profissional a ativar seu networking.

“É o principal fator para a recolocação de um profissional. Retome contatos e solicite orientações aos seus contatos. Aprenda a fazer uma rápida e eficaz apresentação sobre quem é você e o que você faz de melhor. As pessoas precisam se sentir seguras para indicá-lo”, orienta.

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