Quem me dera fugir da tristeza e viver em constante alegria, desfrutar do companheirismo e esquecer a solidão.

Quem me dera que os jovens fossem compreensíveis e que os filhos só trouxessem alegrias sem nunca desapontar.

Quem me dera que não existisse dinheiro, que tudo fosse de todos e que não houvesse diferenças exceto os gostos de cada um.

Quem me dera que as pessoas deixassem de ser tão complicadas, que todos fossem acessíveis e não houvesse defeitos.

Quem me dera a morte não existisse, a velhice acabasse e a doença sumisse do mapa.

Quem me dera se pudesse trabalhar menos e viver mais, o tempo não passasse tão rápido, o stress não tivesse sido descoberto e o urgente nunca sobressaísse sobre o importante.

Quem me dera se eu pudesse fazer somente o que gosto, que a obrigação significasse paixão e a satisfação fosse uma sensação dominante.

Quem me dera nunca tivesse pesadelo, mas pudesse realizar meus sonhos e esquecer que um dia era incapaz de lembrá-los.

Quem me dera ter de volta todos que perdi, desde meu cachorro até meu pai, rever amigos que já esqueci e apagar da memória que o dia em que os perdi.

Quem me dera olhar o passado e ver que só acertei, que todas as decisões foram um sucesso, e que o fracasso nunca existiu.

Quem me dera apagar os traumas de infância, os insultos que levei e as bobagens que falei.

Em fim, seria tudo isso um mundo perfeito, um sonho distante ou somente parte da minha imaginação? Não importa, pois o que me importa mesmo é quem me dera que fosse assim.