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O que o casamento desfeito pode fazer compreender

Quantas vezes você suportou falhas e defeitos como que fazendo de conta que seu par era perfeito.

Quantas vezes você deixou a si mesmo de lado, seus sonhos, anseios e desejos para fazê-lo feliz.

Quantas vezes você ignorou a mentira, se deixando enganar-se e aceitando como verdade o que estava claro que era inverdade.

Quantas vezes você concedeu, mesmo que não devia conceder evitando assim conflitos desnecessários.

Quantas vezes você ficou quieto quando tinha razão para falar, pensando em não magoar.

Mas apesar de tudo isso, tudo chegou ao fim. E é neste momento que vem aquela sensação de vazio junto com a pergunta que ecoa de dentro do seu coração: E o que vou fazer agora?

Apesar de não saber o que fazer, você passa a compreender muitas coisas:

Compreende o perigo de permanecer dentro da zona de conforto, onde o dia a dia pode abalar o que parecia inabalável.

Compreende o que é acordar todos os dias sozinho e ter como companheiro um enorme sentimento de inutilidade e rejeição.

Compreende que esse mesmo dia a dia, pode ser a solução para a dor, dor que os outros não sabem como é sentir, mas que tentam de alguma maneira ajuda-lo a superar.

Compreende que é tênue a linha entre amor e ódio e entre paixão e a revolta.

Compreende que na vida temos muitas fases, umas boas e outras ruins, que iniciam e terminam rápidas e lentas, e que o casamento é feito de muitas delas, que podem ou não ser superadas.

Compreende que o tempo dói, mas somente ele pode ser força motivadora para reerguer.

Compreende que se pode ressurgir das cinzas, que se pode amar mais e que não deve amar ninguém mais do que si mesmo.

Compreende que se encontra muito mais motivação para aquilo que não se tinha antes, como a dieta que nunca continuou ou a academia que tantas vezes parou e entende que você é capaz de chegar muito mais longe do que imaginava chegar.

Compreende que tem de se apegar a algo, não importa se são os filhos, a carreira, ou os cuidados com sigo mesmo, mas o importante é encontrar um motivo para simplesmente continuar.

Compreende que na verdade não foi você não foi injustiçado e sim você que foi injusto consigo mesmo em achar que não era capaz de superar.

Compreende que existe um mundo muito maior do que imaginava, onde se têm muitos outros motivos para ser feliz.

Compreende que se pode voltar a amar e ser amado e desejar e ser desejado, e o que é melhor, muito mais do antes.

Por fim compreendemos a maior de todas as lições: Que ao contrário do que você imaginava ainda tem todos os motivos para ser feliz!


Vou enlouquecer?

Quando era criança, me lembro de assistir o desenho dos Jatsons e imaginar como seria viver num mundo do futuro, onde computadores fizessem parte da nossa vida e o virtual se misturasse com o real.

Pois bem, hoje posso dizer que vivo neste mundo que sonhei, no entanto, sinto saudades do meu tempo de criança.
Há poucos anos atrás, a única senha que tinha de guardar era a senha do meu cartão de banco. Hoje tenho além dela, a senha da internet, senha eletrônica e a palavra chave. Tem senha para ligar computador, acessar e-mails, sites e bancos. De tantas senhas para guardar, instalei um programa para gerenciá-las. Só que esqueci a senha das senhas e na quinta tentativa de relembrar a senha vi meu programa de senhas se autodestruir.

Quando criei minha primeira conta de e-mail me senti importante, afinal era status ter o e-mail no cartão de visita. Hoje tenho tantos e-mails diferentes que nem sei dizer quantos. Aliás, essas contas de e-mails me trouxeram duas centenas de e-mails por dia, isso porque a metade pára no meu programa anti-spam. Por isso passo mais parte lendo e respondendo e-mails do que fazendo o que de fato é importante no meu trabalho.

Lembro-me que do meu nascimento até meus dez anos, minha vida se resumiu a dois álbuns com vinte fotos cada um. Já meus filhos estão com três anos e já possuem setecentas fotos, todas digitais. Estimo que até o casamento deles tenha trinta mil fotos digitais. Isso me trouxe outro problema, como organizar e proteger todas as minhas fotos? Tive uma idéia, parte delas pode ser arquivada na internet e depois de uma semana mandando fotos para o site terminei a tarefa. Só esqueci-me de um detalhe, guardar o login e senha. Estão lá me esperando que eu lembre o login correto. Isso porque tinha criado uma frase chave, mas esqueci a resposta da frase.
É incrível como a comunicação mudou a forma como se relacionamos com as pessoas. Depois de onze anos de casado, ainda tenho algumas cartas e bilhetes recebidas da minha esposa. É claro que a última deve fazer uns cinco anos, hoje não escrevemos mais com papel e caneta, afinal somos um casal moderno. Agora, conversamos e até brigamos pelo msn ou skype. A vantagem é que posso discutir a relação enquanto converso com um cliente ou colega de trabalho.

Há dez anos meu sonho de consumo era um telefone sem fio com secretária. Hoje tenho um celular que tem um pouco de câmera fotográfica, de computador, de tocador mp3 e também é celular. Aliás, a cada dois minutos em média o celular recebe um e-mail novo. Um dia cheguei à conclusão que me tornei escravo do meu blackberry.

Meu televisor há dez anos sintonizava dez canais de TV. Hoje são mais de 150. De tantos canais que tenho para assistir, já estou estressado porque como não consigo ver mais de um programa por vez, fico passando de canal em canal, e acabo tendo uma visão geral do todo sem assistir nada.

Lembro-me bem do meu primeiro carro, era um Chevette 74 e tinha vinte anos de uso, a porta abria sozinha nas curvas, o assoalho era furado e o motor estava prestes a fundir. Hoje posso dirigir com um veículo que tem todos os confortos da vida moderna e um motor que dá gosto de andar, mas ando em média mais devagar que antes. Outro dia fui ao shopping de carro e de tanto trânsito que tinha fiquei uma hora com o carro parado sem conseguir entrar nem sair do estacionamento do shopping. Como posso suportar isso?
Disseram-me que para passar o estresse tinha de ir para um lugar quieto e distante, longe de tudo e todos. Assim, outro dia fui para uma pousada no meio do nada para relaxar. Depois de três dias estava tão estressado porque não conseguia ver meus e-mails que não agüentava mais ficar lá. Para completar, eu não podia nem falar para minha família, pois corria o risco de ser internado como louco. Foi aí que tive a idéia de assumir as compras da casa. Duas vezes por dia eu ia a cidade comprar as coisas da casa e passar no ciber-café para ver os e-mails. Quando demorava a voltar com o pão já dizia que a fila tava grande demais.

Pois bem, é por essas e outras que uma pergunta não sai da minha mente: Será que vou enlouquecer? Não sei. Só peço que se me internarem, por favor, me deixe ver meus e-mails!


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