O PRECONCEITO
Infelizmente tenho de admitir que algumas pessoas tem preconceito com crianças adotivas. Sei que não é por maldade, mas para alguns parece que estamos criando um extraterrestre. Quando adotei o Claudio, nosso segundo filho, uma pessoa com quatro filhos me disse que admirava a coragem que eu tinha de adotar uma segunda criança. É engraçado, pois ela tinha quatro filhos e ninguém achava corajoso isso. Muitas vezes me perguntaram se eu não tinha vontade de ter um filho biológico, como se filho adotivo não fosse filho. Já me perguntaram várias vezes se eu não tenho medo de eles se revoltarem quando estiverem mais velhos. Bem, o que dizer para pessoas com pensamentos como esses? Prefiro ignorar.
O preconceito das pessoas em relação a crianças adotadas tem diversos motivos, na maioria das vezes equivocados. Muitos pensam que a criança pode ficar revoltada com os pais quando ficarem sabendo que não são filhos biológicos o que pode facilmente ser evitado por sempre contar a verdade a criança. Às vezes, o preconceito pode vir até mesmo de pessoas muito próximas como avós e tios, por exemplo. Quando dissemos que adotaríamos outro filho, me lembro que um parente achegado ficou muito preocupado e disse algumas frases negativas sobre nossa decisão. Hoje, sei que na verdade ele fez isso por desconhecer toda a situação envolvida e a forma como gosta do seu neto hoje só demonstra que tudo não passou de um comentário momentoso.
Acho um pouco engraçado que quando alguém sabe que você vai ter um filho biológico as pessoas elogiam e dizem coisas bonitas para a mãe e até dão parabéns por isso. Mas, o mesmo não ocorre com freqüência quando você diz para alguém que vai adotar uma criança. A pessoa, não raro, olha para você com espanto como se você tivesse acabado de dizer que decidiu fazer algo muito errado. As pessoas quase sempre falam coisas negativas e dizem o quanto é difícil adotar uma criança nesse país e perguntam por que eu não tentei fazer outros tratamentos para ter um filho biológico. Bem, imagine só se eu tivesse ouvido tais pessoas, hoje não teria minhas duas crianças em casa.
Por outro lado, quando você adota uma criança e fala isso as pessoas a reação é bem diferente do momento em que você apenas planejava adotar, pois normalmente recebemos muitos elogios e as pessoas se simpatizam com a situação. Muitos falam que gostariam de ter o mesmo privilégio. Elas olham para meus filhos e vêem que são duas crianças normais e felizes.
A opção pela a adoção, na maioria das vezes, é considerada uma alternativa para aqueles que não puderam conceber filhos biológicos. Confesso que discuti a primeira vez com minha esposa quando recebemos a notícia de que eu era estéril, mas me lembro muito bem de quando eu tinha uns 12 anos de idade e eu olhava para as crianças abandonadas e dizia a mim mesmo que um dia adotaria uma criança sem nunca imaginar que não poderia ter um filho biológico.
Outro segundo grupo de adotantes é composto por aqueles que já criaram filhos até esses se casarem e optaram por adotar uma criança depois que seus filhos biológicos deixaram suas casas. Estes pais muitas vezes chegam à conclusão que podem fazer muito por uma criança depois de estarem novamente sozinhos em casa.
Mas falta ainda desenvolver mais os grupos de pessoas que adotam crianças por opção e que não tem qualquer restrição para conceberem filhos biológicos. É por esses e outros motivos que afirmo que muita coisa ainda precisa ser feita para mudar todo o preconceito que existe.
Sempre defendi a adoção para todas as pessoas por explicar a elas como estão enganadas em relação aos conceitos errados sobre esse assunto. Na verdade, tenho um orgulho enorme de dizer que eles são adotivos e mostrar o quanto eles são alegres e felizes por terem uma família tão maravilhosa. Além disso, sempre falo para eles sobre o assunto, porque sou contra ao fato de esconder qualquer informação da criança e ela descobrir somente quando for adolescente. Precisamos criar nossos filhos adotivos com total transparência, pois isso vai ajudá-los a enfrentar quaisquer questionamentos no futuro.




abril 9th, 2011 on 20:15
Anderson,
Em primeiro lugar, parabéns! Seus filhossão lindos!!
Em segundo, me identifiquei com seu post porque sou filha adotiva. Tenho 30 anos, 3 filhas, e fui adotada com 24h de nascida. Conheço a história dos meus pais biológicos e isso foi essencial para que eu entendesse minha raiz, mas a adoção nunca foi entrave no amor que a minha família de criação me oferece desde criança. Sou louca, apaixonada por meus pais e na minha família, a adoção nunca foi colocado como algo pejorativo. No entanto, existe sim o preconceito, e geralmente, ele vem do lado de fora da porta de casa. Durante a minha infância, ouvia sempre alguém perguntar: ah, essa é a sua filha adotiva? e a forma como meus pais combatiam esse tipo de comentário foi essencial para a valorização da minha auto-estima. Eu os ouvia responder: Este é o meu filho, e estaé a minha filha caçula. Nunca minha "filha adotiva." E sei que faziam isso para mostrar as pessoas que a adoção é somente um detalhe, porque pais de verdade, são os que criam. Também sofri preconceito de colegas, das mães dos meus amigos, de pessoas que colocavam em tese a minha índole e o meu sangue cada vez que eu como qualquer criança cometia alguma traquinagem. O meu irmão, apenas 3 anos mais velho que eu, nunca, nunca mesmo jogou na minha cara ou comentou sobre a adoção na nossa vida inteira. Tivemos a mesma criação, as mesmas roupas de marca, os mesmo brinquedos, os mesmo direitos e deveres, estudamos no mesmo colégio. E mesmo depois de adulta, ainda vejo o preconceito lançado pelas pessoas. Quando me casei, meu marido perguntou a ele se sabia tudo da minha vida. Ela soube que eu era adotada, e achava que ele não sabia. Mas na minha casa existia uma regra para esse assunto. ninguém precisa falar do que é normal, logo, esqueça isso. Fale apenas para pessoas significantes na sua vida. E assim o fiz. De qualquer forma, meu marido respondeu: sim, sei que ela é filha adotiva e isso não muda nada no amor que sinto por ela. Agora, diante dessa barbaridade que vimos na Escola emRealengo, vejo a mídia colocar pejorativamente: ele é filho adotivo. Como se isso fosse determinante para que alguém tenha problemas mentais ou que pratique atos insanos. E vou te confessar, essa generalização dói. Ontem, minha cunhada esqueceu que sou adotiva e comentou: "vou te falar, se eu não puder ter filhos, nunca adotaria um por causa dessas coisas. A gente nãosabe como é a índole." Vi o noivo a cutucando com o pé, e ela quando se tocou, parou de falar. E amigo, isso dói. Por isso, entendo tudo que você coloca. INfelizmente, seus filhos vão sim ouvir muitas asneiras e nem sempre poderão ser protegidos disso. Mas saiba, muito mais importante que você dizer aos seus filhos que eles são adotivos, é você dizê-los que eles são iguais e capazes como todas as pessoas. É fortalecer a auto estima deles. É fazê-los entender que Deus deu a eles o destino de chegar a sua família dessa forma, porque tinha que ser assim. A adoção não determina felicidade, sucesso, competência. A adoção é uma escolha. Uma gravidez pode até ser acidental, mas uma adoção vem do que um pai e uma mãe querem e optam para a vida toda: amar um filho do coração.
maio 25th, 2011 on 16:10
Uau achei linda sua historia olha eu tenho 16 anos ano que vem farei 18 e começarei a faculdade e meu sonho nao sei desde quando mais fais muito tempo sempre foi adotar sei que sou jovem mais sei que minha opniao nao vai mudar nao tipo eu nao tenho um desejo tao forte por filhos propios mais sim por adotar nao sei porque sabe tipo acho que é porque vejo tantas crianças desamparada que me da ate raiva de nao poder fazer nada nao sei si dentro de uns 5 anos serei uma mae adotiva solteira o seila mais se agum chegue a ser te direi e claro pedirei conselhos..;p/a ia esquecendo de perguntar e como vai a familia rere e as crianças¿?
julho 21st, 2011 on 14:49
TENHO 2 FILHAS ADOTIVAS E SEU TEXTO É FANTÁSTICO. ESTOU FAZENDO UMA MONOGRAFIA SOBRE PRECONCEITOS E ADOÇÃO E A MUDANÇA DESTA VISÃO.
FELICIDADES! ABRAÇOS,
MARCIA
julho 30th, 2011 on 17:02
Obrigado Marcia!
Abraços,
Anderson H