A muralha da China em volta de você

muralha_da_china21A muralha da China ou simplesmente a Grande Muralha, como é conhecida, tinha a função essencialmente defensiva no período imperial Chinês. Figurativamente falando, muitos profissionais construíram uma “Grande Muralha” em volta de si mesmos, como forma de se protegerem de aparente riscos profissionais.

Muitas pessoas têm inseguranças que se perduram por anos ou até por uma vida inteira, fazendo com que se percam oportunidades únicas que poderiam dar um significado diferenciado na carreira. Podemos incluir nesse contexto, profissionais que exercem funções completamente divergentes de seus desejos ou que se sujeitam a trabalharem em empresas desalinhadas com seus valores ou sem qualquer perspectiva de evolução profissional, simplesmente pelo medo de correr riscos.

Seria ilógico imaginar que todo profissional deve buscar somente o privilégio de se dedicar somente naquilo que ama, porém não podemos negar que muitos conseguiram adaptar seus gostos ao que fazem, mesmo que isso não seja a sua principal paixão. Por outro lado, deixar de lado as possibilidades de adequar a sua carreira a algo que você realmente aprecie, simplesmente por insegurança, é o que fazem aqueles que construíram uma muralha em volta de si mesmo.

Todos os profissionais, inclusive os bem sucedidos, em algum momento de sua carreira tiveram impasses sobre suas escolhas profissionais e, provavelmente, buscaram aconselhamentos ou coaching de modo a ajudar no direcionamento certo. Mas, o profissional dentro da muralha pensa diferente, ele olha a sua volta e só vê um grande muro que o cerca, e o que era para ser a sua proteção pessoal, na verdade encobre a sua visão das oportunidades.

Conheci um profissional que era um exímio programador de sistemas em uma determinada linguagem de programação. Trabalhou anos em uma empresa que utilizava essa linguagem e assim se protegeu em volta dessa muralha. O mundo girava a sua volta, mas o muro impedia que ele enxergasse a evolução da sua área. E o previsto aconteceu, o sistema foi substituído por outra linguagem, mais tarde por outra e assim se deu, e em pouco tempo esse profissional estava fora do mercado de trabalho. Histórias como essa se repetem a cada dia e continuarão a se repetir, pois o mundo é assim, está repleto de pessoas em volta de suas “grandes muralhas”.

Uma muralha só pode ser derrubada de duas formas: De uma única vez, como que explodindo toda ela ou aos poucos, em que gradativamente o profissional vai abrindo pequenos buracos até se desprender totalmente dela. Particularmente acredito que a segunda opção seja a mais adequada, pois o profissional tem tempo para adaptar-se a um novo mundo que ele não conhecia. A derrubada repentina de uma muralha, na maior parte das vezes é motivada por um acontecimento não previsto pelo profissional, como a perda de um arrimo de família, a falência de uma empresa ou uma demissão inesperada. Nesses casos, ele não tem escolha porque a muralha foi destruída.

Deixar a zona de conforto não é uma tarefa fácil. Requer que o profissional tenha coragem e confiança em si mesmo. Todos nós somos capazes de alcançarmos feitos que não imaginávamos que poderíamos, desde que nos preparemos para isso. A autoconfiança não é uma habilidade que simplesmente surge, mas é alcançada com estudo, dedicação, leitura, ou seja, com o tempo. Isso me faz lembrar quando comecei a jogar basquete há alguns anos. Como eu apresentava deficiência técnica em relação aos meus colegas mais jovens, optei por contratar um personal training de basquete. Uma das lições que desde o início ele me ensinou é que quando fosse atacar pelo lado esquerdo da quadra eu deveria fazer o arremesso de bandeja com a mão esquerda, pois o meu corpo protegeria a bola de um bloqueio de defesa. Para mim aquilo parecia impossível, pois sou destro, mas ele me treinou exaustivamente. Passado muito tempo depois, posso afirmar que aprendi a fazer o arremesso de bandeja com a mão esquerda melhor que com a direita. O que era uma deficiência se tornou uma qualidade.

É comum temos a predisposição de nos julgarmos incapazes de vencer novos desafios e a diferença entre aqueles que vivem dentro de suas muralhas é que esse autojulgamento domina a iniciativa deles e simplesmente não agem. Não estou incentivando que os profissionais sejam inconsequentes, de modo a tomarem decisões que podem trazer dificuldades ou correrem riscos desnecessários. O ponto em destaque é que a aparente segurança pode revelar-se um grande perigo profissional.

Portanto, para e pense um pouco se esse não é o momento para derrubar a “Muralha da China” em volta de você.

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